O abismo de mim mesma


Há lugares em mim que ninguém conseguiu chegar

Há lugares em mim que eu desconheço

Quem sou não há como saber, pois existem tantas de mim
Personalidades difusas

Há eu perversas e boazinhas demais
Há um eu tola, romântica e apaixonada.
Há um eu infeliz e amargurado, que não vê a hora de desencarnar.
Há um eu que chora e só chora apenas

Um criativo, sorridente e de bem com a vida

Um forte e inabalável

Um conformado

Um consumado

Quem sou? Não sei

Sei quem sou nesse exato instante, mas daqui a um segundo, quem sou não sei mais.
Mas ainda há lugares em mim que desconheço

Talvez. Tenho esperança de me encontrar
Sair desse abismo de uma vez por todas
Por enquanto não há portas, mas haverá.

De uma coisa estou certa
Não quero mais ser apenas o reflexo dos olhos.

J.