"- A primeira vez que um cara gosta de mim de verdade, eu nem sou eu mesma."
Não se mate...
Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.
Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.
O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam, .
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, pra quê.
Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguém sabe nem saberá.
(Carlos Drummond de Andrade)
Comer Rezar e Amar
"- Selecione seus pensamentos como seleciona suas roupas todos os dias.Cultive esse poder.
Quer controlar sua vida? Comece pela sua mente. Se não dominar seu pensamento, sempre sofrerá.
- Eu estou tentando.
- Esse é o maldito problema. Pare de tentar. Entregue-se".
Tempo e Memória
"Quando o desamparo existe, qualquer sinal de vida é abrigo."
Mirna rompeu o solilóquio de Betina e acrescentou ingredientes a sua reflexão:
- Você anda assustada, parece uma menina com medo de se perder, de ser deixada no caminho, feito um livro esquecido.
Betina se surpreendeu com as palavras de Mirna, se sentiu nua, nua.
(Extraído do livro "Tempo e Memória" - Ivonete Batista Xavier)
A abadia de Nothanger
"Cair em desgraça aos olhos do mundo , assumir uma aparência de infâmia enquanto o coração é absoluta pureza e as ações são pura inocência, sendo que a má conduta de outra pessoa é a verdadeira causa do aviltamento: eis uma circunstância peculiarmente comum na vida de uma heroína; sua firmeza em meio à provação é o que particularmente dignifica seu caráter".
(Extraído do livro "A abadia de Northanger" - Jane Austen)
Qualquer coisa
Parado em frente ao manicômio
Com a mente tão vazia
Sem saber o incômodo que é
Não ter uma ideologia
Eu já vejo uma outra sombra
Era seguido sem saber
Com meus punhos, eu bato na parede
Que me afasta de você
Mas a única coisa que me faz viver
É o ódio que eu sinto por você
Qualquer coisa serve pra viver
Qualquer motivo que me faça entender
A razão pelo ódio que vive em mim
E parece, não haver um fim
Sem saber pra onde ir
E sequer, o que fazer
Não sinto dor, calor ou frio
Nem uma dose de prazer
As lembranças não se apagam
As feridas são visíveis
Não há quem diga que eu não procurei
As saídas possíveis.
(Álvaro Lucas)
Os contos proibidos do Marquês de Sade
- Como podemos saber quem é bom e quem é mau?
- Não podemos tudo o que podemos fazer é nos precaver contra nossa própria corrupção.
Destroços...
Destroços na estrada
A dama de vermelho
Já não acreditava em nada,
Permutava-se, se questionava, pensava em nada.
Destroços na estrada
Tudo começou numa madrugada
Muitas palavras
Poucas promessas
Prometia ser irreal, mas não era.
Destroços na estrada
Não era um conto de fadas
Não havia transgressão
Ou motivo vivo
Apenas negação, repetição.
Destroços na estrada
A coitada da dama
Sangrava
Sangrava sozinha
Havia sido esfaqueada!
Destroços na estrada
O vestido branco
Agora vermelho
Já não mais tinha graça...
“- A vida garota! Acorda!”
[Gritou alguém de fora do poema...].
“- Olhe a vida ao redor, junte seus pedaços e grite!”
Destroços na estrada
A dama se levantou...
Catou o que lhe restava
E nunca mais voltou.
(Jéssica Florentino)
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