Destroços...


Destroços na estrada

A dama de vermelho 

Já não acreditava em nada,

Permutava-se, se questionava, pensava em nada.



Destroços na estrada

Tudo começou numa madrugada

Muitas palavras

Poucas promessas

Prometia ser irreal, mas não era.



Destroços na estrada

Não era um conto de fadas

Não havia transgressão

Ou motivo vivo

Apenas negação, repetição.



Destroços na estrada

A coitada da dama

Sangrava

Sangrava sozinha

Havia sido esfaqueada!



Destroços na estrada

O vestido branco

Agora vermelho

Já não mais tinha graça...



“- A vida garota! Acorda!” 

[Gritou alguém de fora do poema...].

“- Olhe a vida ao redor, junte seus pedaços e grite!”



Destroços na estrada 

A dama se levantou...

Catou o que lhe restava

E nunca mais voltou.


(Jéssica Florentino)