Broken Angel
Abriu-se um buraco no céu, e os anjos dele caíram e
quebraram suas lindas asas, só se via penas e sangue em todo aquele cenário
aterrorizante.
“Não fique com medo.” Me disse ele. “Pois chegou a hora da
libertação.”
“Eu estou com medo, mas não vou te abandonar jamais.” Falei
e ele me abraçou, nesse momento uma luz branca e ofuscante, invadiu todo espaço
e encandeou meus olhos, pus minhas mãos e cobri-os, quando a luz baixou, me
atrevi a olhar, para saber o que estava acontecendo, e vi um homem, um homem
não, um Deus, seus cabelos eram da cor da neve, e os seus olhos faiscavam com
um brilho negro desconhecido, ele flutuava e sua camisola leve e branca fazia o
mesmo.
De súbito procurei pelo meu amado guerreiro ele estava
jogado ao chão, eu o chamei, mas ele me respondeu com apenas poucas palavras,
como se estivesse com dificuldade de falar.
“Estou cego.” Disse ele gaguejando.
“Não pode ser! Olhe para mim meu amor! Olhe e veja!”. Gritei
em desespero, tentei erguer sua cabeça e quando o fiz, vi algo que me amedrontou,
lágrimas de sangue escorriam pelo seu rosto como uma cascata sem fim.
Antes que pudesse pensar em alguma coisa, para ajudar meu
amado, o Deus flutuante falou comigo.
“Só há uma maneira de você salvar seu amado e todos os anjos
a sua volta”. Sua voz era gélida e como seus olhos não tinha alma.
“Quem é você? E o que
fez?”. Perguntei, olhando para ele de forma acusatória e descrente.
“Quem eu sou não interessa, e eu nada fiz ele já estava
perdido no abismo há muito tempo, e o tudo que vê a sua volta é o seu verdadeiro
mundo, aquilo que você é, e aquilo que você sempre desejou no fundo está agora a
sua volta.”
Não podia ser verdade o que ele estava dizendo, será que
aquilo era o que realmente havia nela?
E quanto àqueles anjos? Teria sido ela quem os machucara?
E o seu amado cego! Não podia ser verdade.
“Você está mentindo!” Rebati, e um profundo calafrio percorreu-me
o corpo.
Nesse momento o seu amado levantou e procurando por ela disse:
“Tudo que ele fala é
verdade, estou preso há muito tempo no abismo infinito, não sei quem sou, e não
consigo enxergar nada a minha frente às oportunidades parecem sumir, ou nunca
existirem acredite nele e faça o que ele manda! Faça Liz!”. Ordenou e me vendo
sem argumentos, cedi, afinal era um pedido dele, como recusar-se?
“O que eu preciso fazer?”. Perguntei hesitante.
“A resposta está dentro de si mesma”. Dizendo isso ele sumiu
e ela entrou em desespero, e agora o que faria?
Procurou seu amado, ele estava novamente ao chão, quis
pedir-lhe ajuda, mas nada ele podia fazer preso na sua própria derrota e
inutilidade.
Saiu andando, e
deduziu sozinha que se aquilo era tudo que era, sendo assim tanto sua mente,
como sua alma, poderia ser modificada de acordo com sua vontade e assim ela
pensou em um unicórnio branco e ele apareceu, com esse teste, pensou em um jardim florido e em
um antidoto de cura celestial e ambos também surgiram.
Ela feliz, pôs-se a curar anjo por anjo, quando enfim chegou
ao último. No entanto esse era diferente dos outros, ele não parecia machucado e a
expressão em seu rosto era de melancolia e suas asas eram incomuns, e ela as
desejou para si, e quando o tocou as asas dele se despedaçaram, ela gritou em
horror e sentiu uma dor imensa em seus pulmões, suas costas se abriram e lá
estavam as belas asas.
Sorriu ao vê-las e toda a sua culpa foi substituída por um
sentimento indescritível. Esqueceu-se do anjo e foi atrás do seu amor, mas
quando chegou ele havia sumido.
Onde estaria? O que será que ele ia achar das suas asas?
Não importava, pensou em uma floresta e lá estavam todos.
Uma luz ofuscante tomou conta do ambiente, e mais uma vez o
Deus apareceu e com ele uma sombria energia. Tudo se tornou negro, o céu e as
próprias árvores perderam a sua cor.
“Onde está ele?” Perguntei, ele riu de maneira sarcástica e
disse:
“Não sei, este é o seu mundo, sua mente e sua alma suja!”
Anjos e corvos sobrevoavam o céu nu, as árvores balançavam
para um lado e para o outro como se dançassem uma canção inaudível, o vento
batia forte e fazia os cabelos do Deus voarem com força, ela sentiu vontade de
sair do chão e voar, tentou mas não conseguiu se mover.
Houve uma explosão de fogo e quando viu era o seu amor, não! Era o anjo o qual ela roubara suas asas... Mas e aquela expressão de piedade
que ele carregava?
Tudo aquilo parecia mais um cântico de horror, tentou
desviar o pensamento, não conseguiu, ele se aproximou, flutuando. E disse:
“Essas asas não são como as outras, elas só obedecem ao dono genuíno,
devolva-me.”
“Não!” Recusei-me, não podia fazê-lo sem antes provar a
liberdade de voar. Foi então que reconheci o anjo, ele era o seu amado, ela
tinha roubado as asas do seu amado, caiu em si, ele estava cego não estava?
“Você... Você é um anjo?” Perguntou perplexa. E ele
assentiu, ela desejou ver suas asas nele, e elas saíram dela e voltaram para ele que
sorriu e sobrevoou junto com os outros.
“Você encontrou-se dentro de si mesma.” Dizendo isso o Deus
desapareceu no meio da floresta levando a escuridão consigo.
Ela caiu morta no chão, seu amado se aproximou dela e disse: “Liberte-se, querida!”. E assim ela se despedaçou, então ele soprou seus restos mortais, que desapareceram de forma fúnebre.