Madalena


Enquanto estou presa, penso em como sair dessa rua sem saída, como fugir?
Eles estão me perseguindo, estão gritando, minha cabeça esta latejando, eles gritam, gritam cada vez mais alto, eles me culpam me julgam me punem!

“- Sua pecadora”! ’ Grita um deles e depois me joga uma pedra, eu mereço isso? Pergunto-me.

Devo merecer, por isso fico ali sem nada a fazer, eles me encurralaram enfim, e me atiram pedras com toda raiva que há em seus corações.
Mereço, eu mereço tudo que estão fazendo, por isso permaneço ali sem nem ao menos gritar, uma pedra atinge então as minhas pernas e sem controle de mim mesma caio no chão, sem sustento. Abaixo a minha cabeça, pois a dor é muito forte e não consigo manter meu pescoço alto, minha vida passa como em fração de segundo pela minha mente... 

Vejo-me, vejo meus pecados um a um...
Erro após erro, mentira após mentira...

Decepcionei os que acreditaram na minha salvação, tentaram converter-me, recusei... Tentaram ajudar-me eu não quis... Não acreditei neles, afinal do que adiantaria?
Eu não tinha nada!
A salvação era minha última, talvez terrível chance de escapar daquele fim no qual os que seguem esse caminho temem, como a morte ao anoitecer.
Mas onde estaria a salvação? Lembrei novamente de todas as coisas ruins... E me auto culpei por tudo.

Vivi de restos de mim, onde meus pecados me devoravam, como sem saber ou ao mesmo tempo sabendo, por dentro e por fora precisei de tanto, mas tudo se afastou aos meus olhos repletos do pecado e aquele outro caminho me cercava ao redor tentando salvar-me, eu firmemente ignorei.
Morrer eu mereço, o corpo que a mim foi dado não mereceu tudo que fiz com ele.

Todos ali me observam, eles parecem tão superiores a mim, mas será que são mesmo? Algo me perturba, então eu vejo alguém, era um homem no meio de toda a multidão.
Seus olhos, seus olhos me chamam atenção e com enorme esforço tentei vê-lo melhor, em vão, ele havia desaparecido.
Ah, por um segundo pensei, que pudesse ser o meu salvador, mas não era me enganei mais uma vez... Mais uma vez me iludi.

Nesse mesmo instante uma lágrima escorre dos meus olhos, e desistindo abaixo a minha cabeça.
Ouço passos e sinto alguém próximo, alguém toca em meu ombro.
Olho para cima, para ver quem era o abutre que ousava tocar-me, até mesmo naquela situação, então me deparo com os olhos do homem que desaparecera. E ele apenas me dá a sua mão em silencio.

E eu sem saber por que encontro forças, levanto e digo sorrindo: ”- Eu sou Madalena”.