Nem mesmo o tempo...


O dia estava quase amanhecendo, mas ela não descansou.

Há dias que não dormia, nem comia. 
Sua vida estava no automático. 
Sempre foi assim, doloroso e estático. Nunca admitiria! 
Primeiro ela pensou que a culpa fosse do seu cabelo, longo, negro, sedutor… Então o cortou, caindo naquele ditado de que “se corta o mal pela raiz”, no entanto, logo viu que aquilo de nada adiantaria. 
Depois notou que sempre se sentia sufocada com a cor do seu quarto, rosa enjoativo, então resolveu pintá-lo de azul de modo a trazer tranquilidade, o que até aconteceu por alguns momentos, porém não demorou a perceber que essa mudança não era capaz de acalmar os seus pensamentos, seus sentimentos, seus sofrimentos… 
Por fim, decidiu seguir o conselho dos mais velhos e se ocupar, afinal “mente vazia é oficina do diabo” e ocupou todo o seu dia, a tarde trabalhava, a noite estudava, finais de semana e feriados eram dedicados aos caprichos do seu namorado e pelas manhãs recuperava o sono. 
Assim ficou sem tempo, mas… aquele vazio… aquela dor… 
Não cessava nunca! 
Pouco importava o comprimento, a cor ou o tempo. 
Nem mesmo o tempo era capaz de conter tamanha ansiedade e tristeza. 

    

Por Jessica Florentino