Contagem do tempo...



Noventa e três anos de luta e dor resumidos em apenas alguns minutos.
Nunca pensei que seria eu a presenciar aquele momento.
O rosto dele foi perdendo a cor e embora o seu corpo ainda estivesse quente, o sangue não pulsava mais e como um relógio que acaba a pilha e pausa a contagem do tempo, seu coração simplesmente parou.
Enquanto íamos ao velório reparei melancolicamente nas ruas, carros, buzinas, auto-falantes, rotina, tudo parecia como um dia qualquer, mas carregávamos a dor da morte, cada um ali sentia o seu luto aumentar a medida em que o carro avançava. Mas fora daquele carro o sol brilhava como jamais brilhara e a vida continuava “normal”.


(Meu diário 2 - pág. 25 por Jessica Florentino)