Quão inexplicável é a complexidade de um ser?


Dentro de um ser
A água torna-se vinho
A gota logo evapora
E a madeira em sua mais alta rigidez sobe aos ares em cinzas...

Peço perdão aos olhares ofendidos
Paciência aos intolerantes
Contingencia aos impulsivos no falar

É pedir tanto?

Se tu me julgas tão confuso
Entra em mim e mergulhe neste oceano

No qual eu vejo apenas o desconhecido
E me dê clareza
E me dê a exatidão do que sinto, do que falo.

Torna-me fácil às relações
Torna-me maleável às discussões
Torna-me simples ao entender do outro
Torna-me social.

Razão de ser


Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
e as estrelas lá no céu
lembram letras no papel,
quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?

(Paulo Leminski)

Minha vida sem mim


- Gosto que não pergunte nada sobre a minha vida.

- Não pergunto, porque aprendi a não perguntar. Se olhar para uma pessoa e prestar atenção pode ver cinquenta porcento de quem ela é, e querer saber os outros cinquenta porcento é o que estraga tudo.


Solidão...


[...]Que minha solidão me sirva de companhia.
Que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo [...]


(Clarice Lispector)

Não somos?



- Não somos nós mulheres que reprimimos as nossas vontades e passamos a vida culpando e julgando os homens por impulsivos e cafajestes, quando na verdade isso é apenas inveja da audácia, da maneira livre de viver deles? 




Pensamentos