Desvio


Luzes incandescentes iluminavam o seu rosto, árvores, neblina e prédios abandonados completavam a paisagem ao nosso redor, tudo mágico, misterioso, assombroso.  
Fomos dar uma volta e ao longo do caminho ele me fez perguntas sobre a minha vida.  Estranhei.
Ele sempre fora próximo, mas não tão atencioso assim.  

Então, ele me olhou de um jeito diferente e eu fiquei me questionando se tinha feito a escolha correta.
Seu olhar era tão intenso e a sensação que eu tinha era que ele havia paralisado o meu.

De repente, o medo me assolou, fiquei apreensiva: “E se que alguém me visse naquela situação, no mínimo, suspeita e entendesse tudo errado? ” Afinal as pessoas tendem a ilusão - acreditam sempre naquilo que querem e não no que realmente é.

Ele não pareceu notar minha angustia e se notou, fez pouco caso. Aproximou-se e disse:

- Está frio aqui, não acha? E sem esperar pela resposta veio em minha direção e me puxou, como quem pega um brinquedo elástico.
Meu corpo era minúsculo em comparação ao dele, seu cheiro era agradável e por mais transgressor que pudesse ser, eu gostei da sensação do seu corpo envolto ao meu, suspirei, naquele instante lembro de ter pensado:
“Isso não pode ser mais certo”.

E se alguém pudesse ler todos os meus pensamentos acharia que eu estava ficando louca ou que havia em minha personalidade um sério desvio de caráter, mas não se tratava nem de uma coisa, nem da outra. Nós dois sabíamos do que se tratava.

- Precisamos ir. Anunciei quebrando o elo e interrompendo o burburinho na minha própria cabeça.

- Por que tão cedo? Perguntou, seu tom de voz parecia levemente confuso, mas quando eu o encarei, senti que ele também sabia do que eu desviava.

E sem respostas me desaninhou e do desvio se foi.


Por: Jessica Florentino