Um dia de chuva


A chuva caia com a mesma naturalidade em que as lágrimas escorriam pelo seu rosto. No fim era sempre assim, mas ela não conseguia evitar se sentir deprimida e desolada, a sensação era de ver o chão firme e pisar em falso.

Sentiu uma tontura repentina, tão forte, tão forte, que precisou segurar-se nas grades do portão para não cair.

Costumavam-na chamar de louca, e era mesmo uma louca, uma alucinada, uma iludida!

Quem em pleno século XXI ainda acredita no amor?

Exato. Ela acreditava.

E era por este motivo que naquele momento perdia mais uma vida, que mais uma história estava inacabada.

Ousara ela tão fraca, tão frágil, romper com as normas da sociedade, renunciar a modernidade e insistir no arcaico desejo de amar.

E acabara sozinha.

Velha. Louca. Alucinada. Iludida. E novamente sozinha.

(Jéssica Florentino)