Palavras tristes você me disse ao
fim daquele entardecer, eu apenas virei meu rosto, evitando encara-lo, calada
estava, calada permaneci, não havia o que dizer, sua decisão estava tomada há
tempos. Não sei como tudo chegou a este ponto sem retorno, mas tenho uma leve
lembrança de ter sido na sexta feira passada, não estou certa.
Ao acabar seu discurso de termino
fez-me fita-lo, para ver minhas lagrimas ou expressão de culpa talvez, mas
apenas uma mascara de indiferença cobria meu rosto, você não pareceu surpreso e
se ficou não demonstrou, perguntou-me se tinha alguma coisa a dizer, eu tinha
mil palavrões em minha mente, mil lamurias, mas calada estava, calada
permaneci.
A vida é assim mesmo. Repeti tal clichê
mentalmente, meio para me consolar, meio tentando realmente acreditar. Não
funcionou.
Você que estava em pé desde o
principio de tudo, sentou-se ao meu lado na calçada, perto, mas não tão perto
quanto costumava, eu sabia no fundo que era receio, medo de me querer talvez. Ou
medo de que eu o quisesse não sei.
O silêncio era como um tapa, o
não tocar uma tortura ainda não superada. De repente você virou e me encarou de
forma engraçada, um clima estranho surgiu no ar como se eu tivesse entrado em
uma máquina do tempo e voltado ao passado, e tudo estivesse parado.
O vento frio que me congelava aos
poucos, tornou-se fogo, percebi que havias avançado alguns centímetros a mais,
meu coração acelerou, e quando estávamos prestes a voltar, a máquina do tempo
quebrou, o feitiço acabou você se levantou, me olhou profundamente e disse:
- O para sempre acabou.
Eu que calada estava, calada permaneci
transtornada.
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