Lovesong


Um, dois, três acordes
no máximo.
Ela acordando, o
sono desmilinguido,
o sax tinindo.

Vez ou outra
os olhos apertavam,
encaravam
a parede como se
fosse um espelho.

O branco
olhava de volta,
cuspia
a melancolia
envolta nas
bagas de cigarro.

O cinzeiro cheio.

No último suspiro
solto, ricocheteado
pelo branco

um, dois, três acordes
no máximo.

O pulmão pigarreando,
o rímel era lágrima.

O blues lento:
seria a primeira morte
sua que
não era
de amor.