Por trás dos espelhos...


Eu ainda ouço o soluçar daquela garota que chorava agarrada em seu sapo de pelúcia em plena madrugada, eu ainda sinto o palpitar do seu coração falho e desesperado.
Eu tenho pena dela e de sua vida trágica.

Eu ainda a vejo e ainda penso nela.
Aquela criatura minúscula e insignificante, encolhida em seu quarto, o seu refugio, aquele cubículo atolado de livros de romance e contos de fada, de repente ele se torna imenso para ela, imenso e vazio. Apenas um vagão pintado daquele maldito rosa que a enjoava.

Ela só chora, de maneira desesperada e se pergunta o porquê da sua vida ser daquela forma, isso me atingi profundamente. Eu sinto sua dor e o pior é saber que não posso fazer nada por ela, não posso dizer nada que a conforte, eu não posso mudar nada.

Eu não posso tirar aquela sensação de vazio e nem acabar o seu desespero, não posso enxugar suas lágrimas e nem dizer-lhe que há mais que o rosa por trás dos espelhos.


E por mais que eu fuja, eu ainda sou o reflexo dela.