Eu ainda ouço o soluçar daquela garota que chorava agarrada
em seu sapo de pelúcia em plena madrugada, eu ainda sinto o palpitar do seu
coração falho e desesperado.
Eu tenho pena dela e de sua vida trágica.
Eu ainda a vejo e ainda penso nela.
Aquela criatura minúscula e insignificante, encolhida em seu
quarto, o seu refugio, aquele cubículo atolado de livros de romance e contos de
fada, de repente ele se torna imenso para ela, imenso e vazio. Apenas um vagão
pintado daquele maldito rosa que a enjoava.
Ela só chora, de maneira desesperada e se pergunta o porquê
da sua vida ser daquela forma, isso me atingi profundamente. Eu sinto sua dor e
o pior é saber que não posso fazer nada por ela, não posso dizer nada que a
conforte, eu não posso mudar nada.
Eu não posso tirar aquela sensação de vazio e nem acabar o
seu desespero, não posso enxugar suas lágrimas e nem dizer-lhe que há mais que
o rosa por trás dos espelhos.
E por mais que eu fuja, eu ainda sou o reflexo dela.
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