Ópera Final (A Fuga)


Eu ouço o som da opera enquanto fujo do meu mau

Ele esta me perseguindo
Vejo corvos sobrevoando o céu iluminado apenas pela lua cheia

Eu corro e sinto as corujas cantarem como um coral

Estou apavorada e ofegante

Meu vazio me consome

Sinto-me só, mas sei.
Estou sendo observada
Estou sendo testada
A cada minuto que se passa

Corro, e os animais vão fechando meu caminho.
A floresta a cada passo vai se tornando algo surreal
Eles tentam me dar um recado
Avisar-me que tem alguém atrás de mim

Há algo ruim e fujo
Mas eles me seguem
Temo pelo pior
 E quando me dou conta já estou à beira do precipício

Os corvos dançam acima da minha cabeça
Tornando aquele cenário ainda mais macabro

Ouço vozes falando em latim
Sinto os pelos do meu corpo arrepiarem

Não há mais tempo eu sei

E a beira da morte

Eu me dou conta de que não há mais nada o que fazer
Ele aparece me olha, mas não diz nada.

Sei o que quer
Ele não me dar escolhas

Então eu me jogo
Dizendo minha ultima frase.

“Se queres meu coração te dou de boa vontade, mas não posso dar-te minha alma, por isso te darei minha vida... Amaldiçoou serás eterno, mas não em mim.”

(Jéssica Florentino)