Escolha


Nessas vagas ruas onde acho
Os sonhos varridos pelo tempo;
Atônita, a última árvore que repousastes.
Rodopia seu cheiro na velocidade do vento.
Pelas novidades andaram meus passos.
Debruçada no fim, olhou-me às quadras.
Seus olhos, um espelho, onde sumia meu rastro
E nas digitais, o tom, as máscaras.
Sentei no cais, esqueci o sobrado do alto.
Ancorou nos meus sonhos sereia da lua.
O que habitava nas mãos voou, ganhou o céu.
Se perdeu a casa que me acolheu na antiga rua.
Restou-me seus olhos que acende o coração,
As suas palavras silenciadas, a agrura.
Não ouso negar, é extensa, sem fim;
A rua da saudade cruza a rua da amargura.


Garanhuns, 18/ 06/2011. Final de outono


( Extraído do livro " Além do que Vemos" -  Rafael Maniçoba )

Verão em Woodstok


Lembrei-me do que meu pai me disse uma vez:

- Não se venda por dinheiro. Coloque sempre o amor na frente de tudo. E se não der certo se lembre de que existe Woodstok.

O lobo


Uma noite, um velho índio falou ao seu neto sobre o combate que acontece dentro das pessoas. Ele disse:

– Há uma batalha entre dois lobos que vivem dentro de todos nós.

Um é Mau – É a raiva, inveja, ciúme, tristeza, desgosto, cobiça, arrogância, pena de si mesmo, culpa, ressentimento, inferioridade, orgulho falso, superioridade e ego.

O outro é Bom – É alegria, fraternidade, paz, esperança, serenidade, humildade, bondade, benevolência, empatia, generosidade, verdade, compaixão e fé.

O neto pensou nessa luta e perguntou ao avô:

– Qual lobo vence?

O velho índio respondeu:

– Aquele que você alimenta!

     

Virando a página


- Sobre o que disse de escrever ser insignificante...


“Num filme que escrevi há muitos anos atrás uma garota de 11 anos se encontra com um anjo no céu, e ela está compreensivelmente de luto, sentindo falta da família, amigos e de toda vida que nunca terá. Mas um anjo mais velho diz a ela que 11 anos é uma ótima idade para se estar no céu. Pois aos 11 anos tudo que você ama e odeia continua verdadeiro, enquanto a vida mortal é longa, e lutamos para não comprometer esses sentimentos. Acho que é um pouco do caso de escrever. São os nossos 11 anos dizendo: “Sim, isso é engraçado” ou “Não, que burrice.” Sara pode tomar um rumo Andrea, tomar outro. Mas é real. E verdadeiro. “ 

Eu não mereço nada menos que amor...


E é por isso que desisti
Parei de resistir.
Amor é amor e não cristal
Não tem conserto
Não quebra
Não remenda
Amor é amor!
Amor é todo dia
Amor é detalhe
Eu tentei
Juro que tentei esquecer essa coisa de “humanidade”
Sentimentalismo, "cafonismo", piegas..
Mas sem sensibilidade eu não sou eu
E não posso amar sem me ser
Finalmente compreendi
Que por me ser
E por ser eu assim tão sensível, vulnerável e humana.
Que não mereço nada menos que amor.

(Jéssica Florentino)